segunda-feira, 7 de maio de 2012

Em memória a Joaquim Figueira Mestre

Bibliotecas sem sono

Existem bibliotecas improváveis:
bibliotecas de caixas de fósforos
bibliotecas de brinquedos de madeira ou latão
bibliotecas de papel
Existem bibliotecas de livros do tamanho de um bago de milho
que pulsam na palma de uma mão.
Existem bibliotecas improváveis
as que se reinventam sem parar
as que ardem
as que crepitam mesmo nos dias mais frios.
Existem bibliotecas cheias de ar, vazias,
outras , cheias de risos, palmas.
Almas.
Ora casa, ora abrigo, porto de chegada e de partida
dos seus únicos senhorios: os leitores e os não leitores.
Algumas bibliotecas acreditam.
Viveram tantas histórias que estão condenadas a acreditar.
São de todas as mais raras.
Teimam em iluminar rumos
sinalizar o chão firme da cultura da palavra
da  boa palavra
como a saída para a construção do Homem Novo.
Por acreditarem tanto
que  um dia vai ser possível abraçar
todos os que habitam
esse lugar improvável,
reerguem-se permanentemente:
a cada ausência, a cada encantamento,
a cada riso de menino, a cada aplauso,
a cada poema lido ou cantado
a cada memória …
São bibliotecas sem sono.
 

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