Esperamos a sua visita numa Paragem perto de si!
sexta-feira, 27 de junho de 2014
terça-feira, 17 de junho de 2014
segunda-feira, 9 de junho de 2014
Num Corrupio à Roda da Saia!
O grupo de idosos da Cáritas de Beja aguarda calmamente
pelas Conversas Andarilhas. A sala está cada vez mais cheia, cada vez há menos
espaço para circular, a roda "redonda" alarga-se a cada sessão. Não
pode crescer mais!
Hoje as conversas chegam em formato de “Corrupio”.
De dentro de um talego de pano tiro um livro, leio o título
e pergunto: o que será um corrupio? O grupo responde:" é andar num
corrupio, andar à pressa."
-Vamos olhar para a capa. Quais são as cores mais
importantes desta capa? Vejam aqui uma moça com uma saia vermelha. Que
corrupio será este?
Esta história fala do desejo de uma moça. Leio: “Desde
menina que Maria tinha um desejo: ter uma saia encarnada.”
Falamos sobre os desejos que tinham em
jovens e inevitavelmente chegamos aos bailes, à passagem de criança para jovem
e ao namoro. Voltamos à leitura do texto: “ (…) e foi ao mover o corpo num jeito de valsa que Maria percebeu que não
era apenas uma saia encarnada.”
Os bailes são referidos como o lugar de
encontro entre jovens, idosos, crianças e sobretudo o encontro da aldeia, uma
festa que criava alegria e convívio entre as pessoas. Todos queriam estar
bonitos para o baile, pois era onde as raparigas podiam mostrar as roupas, os
penteados, mostrar o jeito com que acertavam o passo e a sua delicadeza na
dança e onde os rapazes também cuidavam da sua aparência, do jeito de olhar
para ser certeiro. Era ali que se começavam namoros. Depois do namoro no baile
vinha o casamento... e depois a mulher punha o avental e pronto, acaba-se tudo!
O rodar da saia mudava, não se dançava com a liberdade de criança e jovem,
como antes. A aldeia parava o rodar da saia...
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segunda-feira, 2 de junho de 2014
Moldura de sentimentos
Sessão de Leitura de Cueiros no Bairro
da Esperança.
São 15 crianças de 2, 3 anos com dois
anos de intervenção quinzenal. Coloquei na mala dois livros: Como te sentes? de Anthony Browne e Lobo Grande e Lobo Pequeno de Olivier Tallec.
Diz-me a intuição que é hora de começar
a falar sobre o que vai por dentro, precisamos de falar do que somos, o que
fazemos, dos nossos sentimentos, de como os exteriorizamos, como os lemos. Um
livro pode ser um bom pretexto para esta descoberta.
Junto com a mala levamos também uma
moldura de um quadro. Talvez consigamos retratar expressões e escolher a nossa
melhor fotografia.
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quarta-feira, 28 de maio de 2014
Quinta-feira de Ascensão
O Ramo
Quinta-feira, fui à espiga,
Fui pelo trigal em flor:
E não trouxe nenhum ramo,
Só pensei no meu amor.
Quinta-feira, fui à espiga,
E cheguei junto de ti,
trazendo nas mãos vazias
O ramo que não colhi.
Matilde Rosa Araújo
in O cantar da Tila
sexta-feira, 23 de maio de 2014
quarta-feira, 21 de maio de 2014
Ervas de Cheiro
A ideia foi da Lénia. Usar Ervas de cheiros
e falar das memórias que os cheiros e as ervas nos acedem.
Depois dos cumprimentos da praxe, a mala das
coleções abriu-se cheia de canudos de papel de embrulho e dentro delas muitas
ervas e meia dúzia de pequenos livros. Queriamos falar dos saberes em torno das
ervas e chegar ao conto da Erva de Namorar do Breviário das Almas.
-Quem conhece essa erva? Para que serve? -
Sabem outras: Barbas de milho para a bexiga, chá de cebola para a tosse. Erva
Luísa, Lúcia Lima. Entram agora os poejos, os coentros, a descrição da açorda .
E a erva de namorar? Onde cresce. Servirá
para que males. Desfiam-se hipóteses e
entramos na história. Extrapolam sobre o que poderá acontecer à rapariga que
desafiando os saberes da mãe cheira a erva maldita. Acompanham bem o conto.
Riem do desenlace, onde o ourives foge com a irmã da moça que cheirara a
erva.
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segunda-feira, 19 de maio de 2014
Helena Sacadura Cabral
Uma autora única, que enaltece os sentimentos, as emoções e os
valores de cada um e mantém um olhar profundo sobre si e sobre o mundo que a rodeia.
Nestes livros, a autora partilha connosco essas mesmas sensações, bem como situações da sua vida pessoal e familiar.
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Novidades,
Sugestões de Leitura
sexta-feira, 16 de maio de 2014
Como és tu Poesia?
Na sala há agitação e euforia, talvez seja
a alegria da chegada do sol da Primavera.
A Sala está muito mais luminosa do
que é costume.
Hoje começamos de pé em roda a Leitura de Cueiros em Beringel
com meninos entre os 3 e os 5 anos. Aos pares os meninos vão ao meio para darmos
os bons dias. Num jogo de concentração fazemos exercícios de movimento do corpo
criando um gesto para cada parte do corpo a mexer.
Hoje trago poesia.
-Sabem o que é? É brincar com as palavras.
Querem ver o que fez Matilde Rosa Araújo a propósito de um bicho pequeno com
muitas patas, preto, peludo que trepa as paredes e tetos e que constrói
armadilhas de fio de seda, até há um herói com o nome de homem …
- ARANHA!!!
Pedi que imaginassem uma aranha pendurada
no seu fio, balançando para cá e para lá, para cá e para lá. E começamos a
leitura , balançando o corpo (…)
Aranha, anha tão muda e mole
Às vezes a poesia fala de bichos , outras
vezes de segredos!
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Campos de Papoilas
Partilhamos convosco campos de papoilas que se cruzam nos nossos caminhos andarilhos.
Um Alentejo bonito e cheio de cor!
segunda-feira, 5 de maio de 2014
Regressar ao Lidador
Assumimos mais um grupo no Centro Social do
Lidador.
Fizemos a primeira sessão com sala cheia. A
ajuda da equipa técnica do Centro e o ensaio do grupo coral foram preciosas.
Obrigada pela colaboração! Talvez 40 participantes? Contámos, ouvimos opiniões,
explicámos o que se pretendia fazer e marcou-se a segunda sessão.
A primeira sessão foi de natureza mais
performativa, já que a dimensão do grupo deixava pouco espaço para escutar.
Começamos com a Bela Infanta - havia quem a
soubesse todinha - saltamos para um conto sobre uma mulher e um urso de colar
em forma de lua. Brincamos com o Corrupio e a memória dos bailes e feiras.
Entramos nos contos do Breviário das Almas, aquele que fala dos olhos de um
espanhol e de uns sapatos de verniz e da ida à feira de Sanlucar.
Fizemos avaliação
e tivemos uma nota entre o 9 e o 10.
Estão entusiasmados.
Sabemos que na próxima sessão não estarão
todos. Quantos regressarão?
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sexta-feira, 2 de maio de 2014
Novidade
Judite Sousa aproveitou para aprofundar uma
reportagem que fez sobre Álvaro Cunhal e resolveu escrever o livro: Álvaro, Ana e Eugénia, onde pretendendo
retratar "o homem por detrás do político".
Um testemunho que
nos mostra o lado mais pessoal da vida do histórico secretário-geral do PCP, Álvaro
Cunhal e das duas mulheres mais
importantes da sua vida, a irmã Eugénia e a filha Ana.
Já disponível
para si, na sua Biblioteca Andarilha, um retrato íntimo do grande líder
comunista, com episódios que até hoje não são de
conhecimento público.
Leia e aprecie!
terça-feira, 29 de abril de 2014
O Retrato
"No Verão, à sombra das amoreiras grandes do Largo
o homem plantava a árvore dos retratos. (…) Chegava numa furgoneta cansada como
uma mula velha, de resfolegar asmático e cores comidas por camadas sobrepostas
da poeira dos caminhos (…)"
Foi assim que o retratista, da autora Maria
Conceição Ruivo, chegou ao largo e também a mais uma sessão das Cnversas
Andarilhas.
Os idosos envolvidos neste projecto da Biblioteca Municipal de Beja
em parceria com a Cáritas Diocesanas de Beja na sessão passada trouxeram
retratos antigos para partilhar com o grupo, no qual surgiram memórias do
momento do retrato.
Leia mais no nosso Diário de Bordo
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quarta-feira, 23 de abril de 2014
23 de Abril - Dia Mundial do Livro
Hoje, Dia Mundial do Livro, a Biblioteca Municipal de Beja José Saramago tem para si um leque de iniciativas das quais destacamos:
Sessão pública do Clube de leitura com a participação do
escritor Rui Zink
Traga um livro também e venha partilhar leituras!
sexta-feira, 18 de abril de 2014
quarta-feira, 16 de abril de 2014
A máquina de fazer poesia
Estivemos no sábado a fazer mais umas conversas Andarilhas , desta feita em Stª Vitória . 17 almas em volta da Poesia , do Miguel Horta e da máquina genial que ele inventou . Tivemos casa cheia e a presença de dois poetas o Miguel Horta e Senhor Heitor : o primeiro trouxe um verso escrito à mão, numa folha de linhas , o segundo a impressão do seu próximo livro : Rimas Salgadas.
Conversámos muito. Lemos textos. A D. Rosa trouxe a pedido, as fotonovelas que lia em rapariga, quando servia no Porto e as escondia por cima do autoclismos não fosse a senhora encontrá-las. Era ali , bem sentada que as lia de fugida. Houve quem fosse ao cabeleireiro. Quem trouxesse uma amiga. A D. Felizarda devolveu com entusiasmo o livro que levou da Nau Catrineta , mas a conversa sobre os livros que temos lidos será para o próximo dia. Hoje viemos conhecer o Miguel e responder ao desafio que este nos trás. Continua no nosso Diário de bordo
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A propósito da história da CARTA
Temos quase dois anos que trabalho – pouco mais de uma dezena de sessões - no centro de dia de Cabeça Gorda com o grupo de idosas que ali se reúne para o chá e torradas. Às vezes o menu altera-se e aparecem as travessas de cachola com sangue ou as fatias douradas, acompanhadas com café de cevada e chá. Outras vezes somos interrompidos pelos vendedores ambulantes que entram para perguntar se queremos queijos, linguiças, paio. Às vezes rezámos por alma de alguém.
- Vamos lá nós rezar por alma dela – lembrou-se no outro dia, uma das senhoras a propósito do desagrado como se tratam hoje as missas por alma. Rezaram todas em uníssono . Eu acompanhei em silêncio dividida e espantada: deixar-me embalar naquela reza ou documentar a forma natural como o sagrado e o profano se unem em roda daquela mesa.(...) Continua no nosso Diário de bordo
- Vamos lá nós rezar por alma dela – lembrou-se no outro dia, uma das senhoras a propósito do desagrado como se tratam hoje as missas por alma. Rezaram todas em uníssono . Eu acompanhei em silêncio dividida e espantada: deixar-me embalar naquela reza ou documentar a forma natural como o sagrado e o profano se unem em roda daquela mesa.(...) Continua no nosso Diário de bordo
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sexta-feira, 11 de abril de 2014
Ervilhas para verdadeiras princesas
Hoje é dia de
mais uma “ Leitura de Cueiros” desta vez em Beringel com crianças entre
os 3 e os 5 anos. Há um ano que trabalhamos com este grupo, com sessões
quinzenais enquadradas no projecto Dos
livros sem páginas às páginas dos livros.
Sabemos que
quinzenalmente, quando se abre a porta, seremos bem recebidos e a sala
enche-se de sorrisos e perguntas:
- O que trazes
hoje na mala?
- Hoje trago
uma surpresa!
Assim que
pouso a mala no chão todos os meninos se sentam à minha frente de olhos bem
abertos cheios de curiosidade e com sede de histórias.
- Trago uma
história muito antiga com um rei. Alguém sabe o que é um rei?
- O rei
tem espadas, cavaleiros e mora num castelo - diz o Rodrigo.
Depois de
partilharmos os símbolos do rei, o seu poder, com quem vivia, o espaço
onde morava, entramos na história “ O Reizinho das Flores” de Hans
Gartner. Apresento a capa, leio o título e pergunto:
- Como será
este Rei?
- Pequenino! -
Gritaram todos!
- Será que era
como os reis que vocês conhecem? Vamos ver!
Mergulhamos na
história e todos aprendem uma palavra nova "bolbo", eu explico
do que se trata e a Maria fala das bolinhas do quintal e o Dinis diz que
tem no quintal bolinhas na terra para crescerem flores.
Os momentos
de passagem na história são marcados com o som dos trompetes (tum, tu, tu) e todos imitam as passagens
sem que tal lhes seja solicitado. Mantêm-se atentos aos pormenores do livro.
A história é muito simples e no final apresenta o casamento do rei com a
princesa.
- O que é uma
princesa? Quem pode ser princesa?
- Tem uma
coroa, é bonita, tem vestidos assim (pelos pés). - diz a Ana.
- Uma princesa
é delicada, sabe bordar, sabe comer à mesa de talheres, dorme numa cama muito
grande e fofa, tem criados como o rei e também vive num castelo.
"Uma
história muito antiga é a que vos vou contar da menina que sonhava
ser princesa e com um príncipe morar."
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quarta-feira, 2 de abril de 2014
Dia Internacional do Livro Infantil
CARTA ÀS CRIANÇAS DE TODO O MUNDO
Os leitores perguntam muitas vezes aos escritores como é que escrevem as suas histórias – de onde vêm as ideias? Da minha imaginação, responde o escritor. Ah, sim, dizem os leitores. Mas onde fica a imaginação, de que é que ela é feita, e será que todos temos uma?
Bem, diz o escritor, fica na minha cabeça, claro, e é feita de imagens e palavras e memórias e vestígios de outras histórias e palavras e fragmentos de coisas e melodias e pensamentos e rostos e monstros e formas e palavras e movimentos e palavras e ondas e arabescos e paisagens e palavras e perfumes e sentimentos e cores e ritmos e pequenos cliques e flashes e sabores e explosões de energia e enigmas e brisas e palavras. E fica tudo a girar lá dentro e a cantar e a parecer um caleidoscópio e a flutuar e a pousar e a pensar e a arranhar a cabeça.
Claro que todos temos uma imaginação: se assim não fosse, não seríamos capazes de sonhar. Contudo, nem todas as imaginações são feitas das mesmas coisas. A imaginação dos cozinheiros tem sobretudo paladares, e a dos artistas mais cores e formas. Mas a imaginação dos escritores está cheia de palavras.
E nos leitores e ouvintes das histórias, as imaginações fazem-se com palavras também. A imaginação do escritor trabalha e gira e molda ideias e sons e vozes e personagens e acontecimentos numa história, e a história é apenas feita de palavras, batalhões de rabiscos que marcham ao longo das páginas. E depois chega o leitor e os rabiscos ganham vida. Ficam na página, parecem ainda rabiscos, mas também brincam na imaginação do leitor, e o leitor começa igualmente a desenhar e a rodar as palavras de modo a que a história se crie agora na sua cabeça, tal como tinha acontecido na cabeça do escritor.
É por isso que o leitor é tão importante para a história como o escritor. Há apenas um escritor para cada história, mas há centenas ou milhares ou mesmo milhões de leitores, na própria língua do escritor ou traduzida para muitas línguas. Sem o escritor, a história nunca teria nascido; mas sem os milhares de leitores em todo o mundo, a história não viveria todas as vidas que pode viver.
Cada leitor de uma história tem alguma coisa em comum com os outros leitores da mesma história. Separadamente, mas também em conjunto, eles recriam a história do escritor com a sua própria imaginação: um ato ao mesmo tempo privado e público, individual e coletivo, íntimo e internacional. Isto deve ser o aquilo que o ser humano faz melhor.
Continua a ler!
Siobhán Parkinson
Autora, editora, tradutora e distinguida com o Laureate na nÓg (Children’s Laureate of Ireland).
Tradução: Maria Carlos Loureiro
sexta-feira, 28 de março de 2014
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