- Vamos lá nós rezar por alma dela – lembrou-se no outro dia, uma das senhoras a propósito do desagrado como se tratam hoje as missas por alma. Rezaram todas em uníssono . Eu acompanhei em silêncio dividida e espantada: deixar-me embalar naquela reza ou documentar a forma natural como o sagrado e o profano se unem em roda daquela mesa.(...) Continua no nosso Diário de bordo
quarta-feira, 16 de abril de 2014
A propósito da história da CARTA
Temos quase dois anos que trabalho – pouco mais de uma dezena de sessões - no centro de dia de Cabeça Gorda com o grupo de idosas que ali se reúne para o chá e torradas. Às vezes o menu altera-se e aparecem as travessas de cachola com sangue ou as fatias douradas, acompanhadas com café de cevada e chá. Outras vezes somos interrompidos pelos vendedores ambulantes que entram para perguntar se queremos queijos, linguiças, paio. Às vezes rezámos por alma de alguém.
- Vamos lá nós rezar por alma dela – lembrou-se no outro dia, uma das senhoras a propósito do desagrado como se tratam hoje as missas por alma. Rezaram todas em uníssono . Eu acompanhei em silêncio dividida e espantada: deixar-me embalar naquela reza ou documentar a forma natural como o sagrado e o profano se unem em roda daquela mesa.(...) Continua no nosso Diário de bordo
- Vamos lá nós rezar por alma dela – lembrou-se no outro dia, uma das senhoras a propósito do desagrado como se tratam hoje as missas por alma. Rezaram todas em uníssono . Eu acompanhei em silêncio dividida e espantada: deixar-me embalar naquela reza ou documentar a forma natural como o sagrado e o profano se unem em roda daquela mesa.(...) Continua no nosso Diário de bordo
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sexta-feira, 11 de abril de 2014
Ervilhas para verdadeiras princesas
Hoje é dia de
mais uma “ Leitura de Cueiros” desta vez em Beringel com crianças entre
os 3 e os 5 anos. Há um ano que trabalhamos com este grupo, com sessões
quinzenais enquadradas no projecto Dos
livros sem páginas às páginas dos livros.
Sabemos que
quinzenalmente, quando se abre a porta, seremos bem recebidos e a sala
enche-se de sorrisos e perguntas:
- O que trazes
hoje na mala?
- Hoje trago
uma surpresa!
Assim que
pouso a mala no chão todos os meninos se sentam à minha frente de olhos bem
abertos cheios de curiosidade e com sede de histórias.
- Trago uma
história muito antiga com um rei. Alguém sabe o que é um rei?
- O rei
tem espadas, cavaleiros e mora num castelo - diz o Rodrigo.
Depois de
partilharmos os símbolos do rei, o seu poder, com quem vivia, o espaço
onde morava, entramos na história “ O Reizinho das Flores” de Hans
Gartner. Apresento a capa, leio o título e pergunto:
- Como será
este Rei?
- Pequenino! -
Gritaram todos!
- Será que era
como os reis que vocês conhecem? Vamos ver!
Mergulhamos na
história e todos aprendem uma palavra nova "bolbo", eu explico
do que se trata e a Maria fala das bolinhas do quintal e o Dinis diz que
tem no quintal bolinhas na terra para crescerem flores.
Os momentos
de passagem na história são marcados com o som dos trompetes (tum, tu, tu) e todos imitam as passagens
sem que tal lhes seja solicitado. Mantêm-se atentos aos pormenores do livro.
A história é muito simples e no final apresenta o casamento do rei com a
princesa.
- O que é uma
princesa? Quem pode ser princesa?
- Tem uma
coroa, é bonita, tem vestidos assim (pelos pés). - diz a Ana.
- Uma princesa
é delicada, sabe bordar, sabe comer à mesa de talheres, dorme numa cama muito
grande e fofa, tem criados como o rei e também vive num castelo.
"Uma
história muito antiga é a que vos vou contar da menina que sonhava
ser princesa e com um príncipe morar."
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quarta-feira, 2 de abril de 2014
Dia Internacional do Livro Infantil
CARTA ÀS CRIANÇAS DE TODO O MUNDO
Os leitores perguntam muitas vezes aos escritores como é que escrevem as suas histórias – de onde vêm as ideias? Da minha imaginação, responde o escritor. Ah, sim, dizem os leitores. Mas onde fica a imaginação, de que é que ela é feita, e será que todos temos uma?
Bem, diz o escritor, fica na minha cabeça, claro, e é feita de imagens e palavras e memórias e vestígios de outras histórias e palavras e fragmentos de coisas e melodias e pensamentos e rostos e monstros e formas e palavras e movimentos e palavras e ondas e arabescos e paisagens e palavras e perfumes e sentimentos e cores e ritmos e pequenos cliques e flashes e sabores e explosões de energia e enigmas e brisas e palavras. E fica tudo a girar lá dentro e a cantar e a parecer um caleidoscópio e a flutuar e a pousar e a pensar e a arranhar a cabeça.
Claro que todos temos uma imaginação: se assim não fosse, não seríamos capazes de sonhar. Contudo, nem todas as imaginações são feitas das mesmas coisas. A imaginação dos cozinheiros tem sobretudo paladares, e a dos artistas mais cores e formas. Mas a imaginação dos escritores está cheia de palavras.
E nos leitores e ouvintes das histórias, as imaginações fazem-se com palavras também. A imaginação do escritor trabalha e gira e molda ideias e sons e vozes e personagens e acontecimentos numa história, e a história é apenas feita de palavras, batalhões de rabiscos que marcham ao longo das páginas. E depois chega o leitor e os rabiscos ganham vida. Ficam na página, parecem ainda rabiscos, mas também brincam na imaginação do leitor, e o leitor começa igualmente a desenhar e a rodar as palavras de modo a que a história se crie agora na sua cabeça, tal como tinha acontecido na cabeça do escritor.
É por isso que o leitor é tão importante para a história como o escritor. Há apenas um escritor para cada história, mas há centenas ou milhares ou mesmo milhões de leitores, na própria língua do escritor ou traduzida para muitas línguas. Sem o escritor, a história nunca teria nascido; mas sem os milhares de leitores em todo o mundo, a história não viveria todas as vidas que pode viver.
Cada leitor de uma história tem alguma coisa em comum com os outros leitores da mesma história. Separadamente, mas também em conjunto, eles recriam a história do escritor com a sua própria imaginação: um ato ao mesmo tempo privado e público, individual e coletivo, íntimo e internacional. Isto deve ser o aquilo que o ser humano faz melhor.
Continua a ler!
Siobhán Parkinson
Autora, editora, tradutora e distinguida com o Laureate na nÓg (Children’s Laureate of Ireland).
Tradução: Maria Carlos Loureiro
sexta-feira, 28 de março de 2014
sexta-feira, 21 de março de 2014
21 de Março - Dia Mundial da Poesia
Terra Limpa
O sol que não assina, mas assume
e termina a cor de oiro do tremês
assim fez o mês de agosto
e amadurece a manhã
até ao lume da maçã do rosto
onde corre o derradeiro
ribeiro
que só se escoa
quando a tarde morre.
E no resto nem lagoa,
sombra de pedra ou de serra.
A única sombra que medra
é a do homem na terra
até ao fim da tarde encarniçado e triste
como uma chaga de guerra.
É neste azul do sul que o sol existe
e o céu assiste à solidão da terra
Martinho Marques
O nómada sentado, 1995
O sol que não assina, mas assume
e termina a cor de oiro do tremês
assim fez o mês de agosto
e amadurece a manhã
até ao lume da maçã do rosto
onde corre o derradeiro
ribeiro
que só se escoa
quando a tarde morre.
E no resto nem lagoa,
sombra de pedra ou de serra.
A única sombra que medra
é a do homem na terra
até ao fim da tarde encarniçado e triste
como uma chaga de guerra.
É neste azul do sul que o sol existe
e o céu assiste à solidão da terra
Martinho Marques
O nómada sentado, 1995
quarta-feira, 19 de março de 2014
segunda-feira, 10 de março de 2014
Mala das coleções
O que são coleções?
Trazemos uma mala está cheia delas: coleções de moedas, de berlindes, de postais, bonecos de dedo e...uma caixa de recordações!
Recordações que se guardam ao longo da vida, memórias de sítios visitados, presentes oferecidos, amores e amizades que não se esquecem.
Um ponto de partida para a partilha de poemas e histórias de forma a estimular a imaginação e a escrita.
Trazemos uma mala está cheia delas: coleções de moedas, de berlindes, de postais, bonecos de dedo e...uma caixa de recordações!
Recordações que se guardam ao longo da vida, memórias de sítios visitados, presentes oferecidos, amores e amizades que não se esquecem.
Um ponto de partida para a partilha de poemas e histórias de forma a estimular a imaginação e a escrita.
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segunda-feira, 3 de março de 2014
segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014
Histórias de Fazer Tem Tem
No corredor da entrada, num
pequeno estendal estão o nome dos meninos do clube das Histórias Para Fazer Tem Tem.
O nome da atividade surge de uma
expressão da cultura popular, quando se pedia à criança para fazer um tem tem,
ou seja, manter-se de pé em equilíbrio ainda sem andar. Este clube é dirigido a
pais e filhos com idades entre os 9 e os 24 meses e funciona há já um ano, todas
as semanas.
Os primeiros passos até à sala da
Bebeteca, muitas vezes, começam ainda no colo da mãe. Só depois de descalçar os
sapatos e tirar casacos é que se pode ocupar o nosso lugar na sala. Na entrada
já se ouve a música que sugere que estamos à espera de mais X elementos.
Os meninos identificam o
seu nome com os pais, gostam de o repetir e de o colar na blusa.
Depois começamos:
- “ Fui às histórias de tem tem,
para histórias escutar” …
A canção de abertura dá as boas vindas aos pais e
aos filhos introduzindo os seus nomes na canção que todos conhecem de cor.
Faz
parte da rotina da sessão e reforça a pertença ao grupo.
Continua no nosso Diário de Bordo
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sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014
Casa cheia em Santa Vitória
As Conversas Andarilhas continuam a partilhar histórias e emoções.
Em Santa Vitória o grupo continua a crescer a cada sessão.
O nosso bem haja a todos os participantes!
Em Santa Vitória o grupo continua a crescer a cada sessão.
O nosso bem haja a todos os participantes!
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Conversas Andarilhas,
Santa Vitória
segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014
Viver o Hoje com Alegria!
Hoje a sessão das Conversas Andarilhas, com o grupo de utentes do apoio domiciliário da Cáritas Diocesana de Beja, começou com uma música estranha.
Escutar sons diferentes daqueles que ouvimos habitualmente pode ser um desafio interessante!
Perguntámos que música seria aquela e logo a D. Inácia apressou-se a dizer, apontando para a capa do cd:
- É do Japão!
Partimos da música para falar dos ambientes que ela nos sugere, sobre as emoções e imagens que podem habitar um pequeno trecho musical.
A pouco e pouco
vamos construindo oralmente o espaço para a história: florestas, montanhas árvores
e flores, jardins verdes com regatos a correr e no meio uma casa de madeira com
uma varanda para o jardim.
Uma casa pequena, cheia de luz, nela morava uma família pequena: um homem, uma mulher e uma filha que era o retrato vivo de sua mãe...
Leia mais no nosso Diário de Bordo
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quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014
Poema de amor
O amor quando se revela
O amor, quando se revela,
não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p´ra ela,
mas não lhe sabe falar.
Quem quer disser o que sente
não sabe o que há de dizer.
Fala: parece que mente
Cala: parece esquecer
Ah, mas se ela adivinhasse,
se pudesse ouvir o olhar,
e se um olhar lhe bastasse
pra saber que a estão a amar!
Mas quem sente muito, cala;
quem quer dizer quanto sente
fica sem alma nem fala,
fica só, inteiramente!
Mas se isto puder contar-lhe
o que não lhe ouso contar,
já não terei que falar-lhe
porque lhe estou a falar
Fernando Pessoa
sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014
Borda d'Água 2014
Aveia de fevereiro enche o celeiro
Sabe que durante este mês deve semear abóbora e cenoura, podar algumas árvores de fruto no minguante e colher espinafres, couve-flor e brócolos?
Conhece as datas das luas e a sua importância nas culturas?
Torne-se um especialista neste e noutros assuntos!
Consulte o Borda d'Água, já disponível na sua Biblioteca Andarilha!
sexta-feira, 24 de janeiro de 2014
A nossa sugestão
Viaje pela extraordinária vida de Calouste Gulbenkian, um arménio misterioso que se tornou um dos homem mais ricos do mundo e que escolheu Lisboa para viver.
Considerado o maior colecionador de arte do seu tempo, tenta encontrar a resposta para uma pergunta que o persegue a vida toda:
- O que é a beleza?
Tente descobrir a resposta nas mais recentes obras de José Rodrigues dos Santos.
Disponíveis para si, na sua Biblioteca Andarilha!
Considerado o maior colecionador de arte do seu tempo, tenta encontrar a resposta para uma pergunta que o persegue a vida toda:
- O que é a beleza?
Tente descobrir a resposta nas mais recentes obras de José Rodrigues dos Santos.
Disponíveis para si, na sua Biblioteca Andarilha!
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Sugestões de Leitura
sexta-feira, 17 de janeiro de 2014
10 meses de avanços e recuos
Estamos no Inverno. O frio arrepia a pele, chove. Três mulheres grávidas, carregadas com as suas crianças atravessadas na cintura, avançam em passo acelerado. Cobrem a cabeça das crianças com cobertores e passo a passo sobem até à cidade. De quinze em quinze dias é assim. Vêm do Bairro das Pedreiras para mais uma sessão de leituras de cueiros, uma parceria com a Cáritas Diocesana de Beja, no âmbito do projeto dos " Livros sem página às Páginas dos livros “. (...)
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quinta-feira, 9 de janeiro de 2014
E foi lindo de ver!
Semana longa esta: Albernoa , Baleizão, São Matias e Beringel , Salvada. Crianças, idosos, 6 grupos corridos , 8 paragens da Andarilha.
Terminei a sessão e ponho-me a caminho. Vou apanhar a Helena Ribeiro ao cruzamento entre Salvada e Cabeça Gorda. Está um frio de cão. O Sol ilumina sem aquecer. (...)
Hoje conseguimos escutar toas as vozes: uns contando de memória , reconhecendo contos , associando a outras histórias. Até aquele romance que quase todos sabiam vagamente e sobre o qual nunca haviam pensado. O da Bela infanta . Canto duas estrofes e narro introduzindo mais elementos :
Estava a bela Infanta | No seu jardim assentada | com pente de oiro fino seus cabelos penteava – conto que havia um castelo e nele uma mulher tão bela que todos lhe chamavam bela infanta. Seu marido tinha partido para longe , um dia quando penteava os seus cabelos com um pente de oiro fino – Jogou os olhos ao mar/ viu vir uma grande armada / Capitão que nela vinha / muito bem a governava – ai quem seria? , pensou a infanta ….
E foi lindo de ver: havia quem murmurasse pedacinhos de texto, os olhos a brilhar, o prazer da escuta, o encantamento nos rostos cheios de rugas. A partir dali fomos viajando nas histórias contadas, nas memórias de terem sido um dia embaladas nesse cante.
Veja o resto em Diário de Bordo...
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segunda-feira, 6 de janeiro de 2014
Dia de Reis
Boas noites, meus senhores,
Boas noites vimos dar,
Vimos pedir as Janeiras,
Se no-las quiserem dar.
Aqui vimos, aqui vimos
Aqui vimos bem sabeis
Vimos dar as boas festas
E também cantar os Reis.
As Janeiras são cantadas
Do Natal até aos Reis
Olhai lá por vossa casa
Se há coisa que nos deis.
Santos Reis, santo coroado,
Vinde ver quem vos coroou.
Foi a Virgem, mãe sagrada,
Quando por aqui passou.
O caminho era torto,
Uma estrela vos guiou.
Em cima de uma cabana
Essa estrela se pousou.
A cabana era pequena,
Não cabiam todos três
Adoraram Deus-Menino
Todos de uma só vez
domingo, 5 de janeiro de 2014
Vejam lá o filho de uma mangana!
Regresso de uma pausa curiosa por saber o que aconteceu. Na minha ausência foi a Luzia quem fez as honras da casa e levantou umas quantas histórias de leitura. Chegam agora as provas , um velho saco , cheio de fotonovelas, as mesmas que a D. Francisca , tinha escondidas por cima do autoclismo, na casa da Senhora. Tinha onze anos e servia no Porto.
Chegam mais duas senhoras e trazem à baila a história da D. Assunção? A Senhora da saquinha. Conhecem? Contou a Senhora e eu acredito , que em menina, porque o pai não a deixava ir à escola, todos os dias esperava as afortunadas que podiam ir para a Mestra e oferecia-se para lhes carregar a saquinha.O grupo reúne-se lentamente. Perguntam sobre a minha viagem e em torno dela começamos sessão. Uma toalha de papel serve de folha e em cima dela coloco 2 objetos : Uma caneta esculpida em pau preto , as estórias Abensonhadas do Mia Couto . Vamos lá adivinhar o que andei a fazer? Registamos palavras a propósito daqueles objetos : Livro , caneta, escrever, ler, histórias. Ensinar, aprender.
Cada objeto é manipulado demoradamente e a escuta é atenta.
- ... e jurei a mim mesma que quando nos voltássemos a encontrar vos iria ler este conto. Chama-se o baile?....
Veja o resto em Diário de Bordo...
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quarta-feira, 1 de janeiro de 2014
Dia Primeiro de Janeiro e um DIÁRIO DE BORDO a estrear. Sigam-nos!
Dia 1 de Janeiro
Hoje é dia primeiro e começamos um novo caminho: Um diário de bordo onde queremos partilhar o que acontece - ao abrigo do projeto “ dos livros sem páginas à página dos livros “ financiado pela Fundação Calouste Gulbenkian – com os nossos grupos de continuidade .Desde o princípio sabíamos que os Largos, aparentemente desertos, estão cheios de estórias e que a única maneira de recuperar essas estórias é dar voz a quem as viveu . Tivemos de procurar quem tinha memória nos largos das aldeias, agora desertos e isso conduziu-nos a Lares, Centros de Dia, Centros Comunitários, às vezes casas, escolas.
Desde o principio que dissemos que este projeto girava em torno das PALAVRAS , não para formar leitores , mas para proporcionar experiências leitoras . No caminho percebemos que a este papel se devem juntar outros : o combate sem trégua ao isolamento social e cultural, às iliteracias, o reforço do tecido social das comunidades e a identidade de um território.
São mais de trinta o número dos idosos que participam nas sessões da Salvada. Na semana passada em Cabeça Gorda e Santa Vitória, mais de 24 , quase todas mulheres. Em Albernoa uns 10, talvez seja o grupo com menos autonomia.
São mais de trezentas as crianças e famílias tocadas por este pequeno projeto: Salvada, Cabeça Gorda, Beringel, Bairro da Esperança, Baleizão, São Matias, são algumas das freguesias onde já se está a trabalhar a todo o vapor , contando com a colaboração das juntas, dos docentes – pequenos grupos, ação discreta , em continuidade.
Passo a passo, vamos desenhando o caminho, carregando muitas dúvidas na forma de o fazer, tendo cada vez mais a certeza que o trabalho de uma biblioteca também passa por estar em todos estes lugares, possibilitando momentos de evasão e de expressão das memórias do vivido e do sonhado.
Recordamos cada uma das sessões e descobrimos que já passou um ano de projeto, que temos poucos registos , que só agora começamos a conseguir sistematizar e avaliar o que vai acontecendo. Neste campo, como em muitos outros campos do trabalho de uma biblioteca, tudo demora muito tempo.
Temos também a certeza que é hora de o começarmos a partilhar no Diário de Bordo!
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segunda-feira, 23 de dezembro de 2013
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